Exercício do plano de emergência das usinas nucleares começa no dia 31

Moradores da região de Angra devem evitar trecho da Rio-Santos próximo às usinas no final da tarde do dia 31 de agosto

 

A coordenação do exercício geral do plano de emergência da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAAA) preparou um roteiro com as atividades que serão realizadas durante o evento, que acontece na quarta (31) e quinta-feira (1º) da semana que vem. Tendo como cenário a simulação de um acidente em Angra 2, o exercício permitirá avaliar a eficácia do plano, identificar possíveis pontos vulneráveis e aperfeiçoar procedimentos. O treinamento envolve entidades civis e militares, além de voluntários da população da região.

No dia 31 de agosto, às 8h, haverá uma entrevista coletiva com os coordenadores do exercício. Estarão presentes o Secretário de Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Simões; o subsecretário estadual de Defesa Civil e coordenador do exercício, Jerri Pires; o coordenador do Centro de Coordenação e Controle de Emergência Nuclear (CCCEN), Otto Ramos da Luz; e o coordenador do Plano de Emergência Local (PEL) da Eletrobras Eletronuclear, Paulo Werneck. Também marcarão presença representantes da Defesa Civil de Angra dos Reis e Paraty, da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) e do Ministério da Saúde, entre outras entidades.

Dentre os destaques do exercício, está a simulação da transferência de um radioacidentado do Centro de Medicina das Radiações Ionizantes (CMRI), na Vila Residencial de Mambucaba, até o Hospital Naval Marcílio Dias, no Rio de Janeiro. Essa atividade acontecerá no dia 1º de setembro, às 11h30.

No dia 31, às 16h, haverá a simulação de retirada dos trabalhadores da central nuclear de Angra. No dia seguinte, haverá treinamentos de evacuação de moradores de Angra dos Reis, em localidades situadas até 5 Km das usinas, como Pingo D’Água, Guariba, Frade e Praia Vermelha.

Dentre os destaques do exercício, está a simulação da transferência de um radioacidentado do Centro de Medicina das Radiações Ionizantes

 

Evacuação de trabalhadores de Angra 3

Nesse exercício, pela primeira vez, haverá a simulação da retirada de trabalhadores da obra de Angra 3, que acontecerá durante a evacuação das instalações da Eletrobras Eletronuclear. Às 16h do dia 31, está prevista a remoção de mais de 3 mil pessoas da central nuclear pela Rio-Santos, em ônibus disponibilizados pela empresa.

Para que esse treinamento possa ser realizado, a Polícia Rodoviária Federal fará retenções ao longo da rodovia – tanto no sentido Paraty, quanto no sentido Rio de Janeiro –, de modo a abrir passagem para os veículos que levarão esses trabalhadores.

A Defesa Civil estadual, a Polícia Rodoviária Federal e a Eletrobras Eletronuclear recomendam que a população evite transitar pela Rio-Santos nas proximidades da central nuclear no horário indicado, a fim de evitar transtornos no trânsito.

Gabrielli culpa fiscalização pela queda da produção da Petrobras

Operações da empresa na Bacia de Campos e na Bacia de Santos, ambas no Rio, seriam as mais afetadas

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, disse ontem (24) que a queda na produção de petróleo e gás da estatal é reflexo do rigor dos órgãos de fiscalização e controle nas vistorias a plataformas. Segundo ele, a fiscalização de órgãos como Marinha, Ministério do Trabalho e Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) acabam determinando a suspensão das operações de plataformas.

“Hoje temos exigências maiores e legítimas. Mas isso implica em que você tenha mais paradas [de produção nas plataformas]”, disse o executivo. A Petrobras divulgou hoje queda de 2,78% na produção de petróleo e gás em julho em relação ao mês anterior. Segundo a empresa, consequência de manutenções operacionais em plataformas dos campos de Marlim (P-20, P-35 e P-37), Albacora Leste (P-50) e Parque das Baleias (FPSO Capixaba).

Gabrielli acredita que a Petrobras vai alcançar a meta de produção deste ano (2,1 milhões de barris médios). “Vamos aumentar a produção, pois temos mais sondas perfurando. Vamos fazer a nossa parte, mas, se teremos mais paralisações, eu não sei dizer”.

Na audiência pública da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, Gabrielli disse que a crise econômica atual não deve afetar a capacidade de endividamento da empresa e que a demanda por combustíveis não terá queda significativa. “Temos uma visão de que o futuro não foi cancelado, as pessoas vão continuar andando de carro, de caminhão, de ônibus. A demanda vai existir, porque o mundo não acaba”.

No entanto, admitiu que o Brasil poderá ter dificuldades com a produção de etanol nos próximos dois anos pela falta de cana-de-açúcar. Segundo Gabrielli, vários fatores influenciam esse cenário, como a safra fraca de 2009, o aumento da produção de açúcar e a maior procura por gasolina, que recebe a adição de 25% de álcool anidro.

Gabrielli também informou que a Petrobras não mantém nenhuma atividade na Líbia. A empresa tinha apenas um campo exploratório no país, com sete funcionários que já foram retirados. “Hoje, não temos nenhuma atividade, estamos esperando para ver o que vai acontecer para saber se voltamos ou não”.